Tratamento Drogas com Psiquiatra – Bacellart Psi Saudável

Tratamento Drogas com Psiquiatra – 

Cérebro nunca esquece a droga, afirma psiquiatra:

     Tratamento drogas com psiquiatra: Especializado no tratamento de dependentes químicos, o psiquiatra argentino Eduardo Kalina, 63, faz um alerta: o cérebro nunca esquece a sensação provocada pela droga. Para um dependente químico, a cura exige a abdicação total das drogas, inclusive álcool e cigarro – por toda a vida. Artigo da jornalista Fernanda da Escóssia para o Jornal Folha de S. Paulo.

“Quem usa drogas quer ser super-homem”, diz. Kalina já tratou de pacientes famosos, como a atriz Vera Fischer e o ex-jogador de futebol Diego Maradona. Ele atua na área há 32 anos. Nos últimos tempos, tem se dedicado a estudar a depressão, sobre a qual prepara um livro.

Diretor-médico de uma clínica em Buenos Aires, Kalina vem ao Brasil de três em três meses para acompanhar pacientes de uma clínica de Ipanema (zona sul), onde atua como supervisor. Leia trechos de sua entrevista à Folha:

Tratamento Drogas com Psiquiatra –

Depressão na atualidade:

      Folha – Por que a depressão virou a doença do homem moderno?
Eduardo Kalina
 – Os motivos são muitos. Temos uma crise de vida no mundo atual, que criou desenvolvimento e, em lugar de criar felicidade para as pessoas, criou infelicidade. Tudo isso favoreceu depressões. A forma de viver é cada vez menos humana. O uso de tóxicos, álcool, tabaco, café, cocaína, estimulantes, tudo isso favorece a depressão. Um fator que provocou o aumento de drogas é o fato de que vivemos cada vez menos humanamente. Cada vez viramos mais máquinas, porque temos muito ou porque temos pouco. O homem virou cada vez mais máquina, e as máquinas precisam de combustíveis especiais.

        Folha – Fale um pouco do tratamento que o sr. utiliza.
Kalina 
– São tratamentos integrais, com exames de diagnóstico complexos, para estudar o que acontece no cérebro sem produzir danos às pessoas e para saber como está o equilíbrio neuroquímico. Fazemos um diagnóstico psicológico e psicossocial. Pacientes com desequilíbrios importantes precisam de medicamentos para compensar esses desequilíbrios, que não se corrigem sozinhos.

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Dependência medicamentosa:

     Folha – Isso não cria uma dependência de medicamentos?
Kalina
 – Não usamos medicamentos que produzem dependências patológicas. Mas certas indicações exigem uma dependência útil. Se uma pessoa tem de tomar insulina, é insulino-dependente. Se tem depressão grave, será antidepressivo-dependente, e não tem nada a ver com ser dependente da cocaína. É diferente.

     Folha – O que o sr. chama de lado psicossocial?
Kalina 
– O uso de drogas vai contra a natureza humana. A pessoa procura a droga para ser outro, Popeye, super-homem. Além de corrigir o fator biológico, é preciso fazer psicoterapias, trabalhar com a família. Muitos pacientes precisam reaprender a se desenvolver no meio social. Daí a importância do hospital-dia, com estruturas comunitárias.

     Folha – O sr. teve pacientes famosos como Vera Fischer e Maradona. Eles se curaram?
Kalina
 – Não quero falar deles. Quem usou droga tem que aprender a viver sem drogas, entre as quais álcool e tabaco. Pessoas famosas chegam a acreditar que são super-homens ou supermulheres e não aceitam os limites: não podem tomar nunca mais álcool. Por isso, muitos voltam à droga. Pessoas comuns que têm recaídas são muitas. Quando tem recaída um famoso, fala todo mundo.

     Folha – Há cura para a dependência química?
Kalina
 – A cura significa deixar de tomar drogas de todo tipo, álcool e tabaco inclusive, e aceitar que o corpo nunca vai esquecer o que aprendeu. Se você foi fumante, alcoólatra ou toxicômano, o cérebro não esquece. Por isso, a cervejinha é fatal, porque abre a memória biológica. A pessoa lembra e acorda tudo o que tratamos de limpar. Há cura se você aceita seus limites.

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Maconha:

     Folha – O que sr. acha da descriminação da maconha?
Kalina 
– Sou contra. As pessoas que defendem isso não se preocupam com a saúde pública. Há estudos sobre o poder carcinogenético [causador de câncer] da maconha, que é quatro vezes superior ao do tabaco.

     Folha – Quem fuma só maconha é dependente?
Kalina 
– É dependente. Quando a pessoa diz “fumo só maconha”, quase nunca é verdade. Ela fuma cigarros, toma álcool e, com o tempo, não basta. É a porta de entrada para outras drogas. Assim como se dizia antes que a consciência é solúvel em álcool, digo que é solúvel em maconha.

     Folha – O sr. escreveu sobre jovens. O que diria aos pais, principalmente aos que usaram drogas?
Kalina
 – O papel da família é não seguir a linha: “faça o que eu digo e não faça o que eu faço”. Se os pais consomem tabaco, álcool e remédios, não podem pedir que os filhos não procurem soluções químicas. O pai deve dizer ao filho que usou, mas que não há motivo para o filho faça também.

     Folha – O sr. não admite o álcool nem em ocasiões sociais?
Kalina 
– É preciso saber a diferença. De cada 100 pessoas que bebem, 10 viram alcoólatras. Dos que fumam mais de seis semanas, 60% viram fumantes que não podem parar. A cerveja e o vinho, se tomados com moderação, têm efeitos negativos mínimos e certos componentes úteis para a saúde. O vinho tem aminoácidos, a cerveja tem vitamina B. O uísque, a cachaça, nada disso tem valor para o organismo.

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Tratamento Drogas com Psiquiatra

LINK da reportagem do Jornal Folha de S. Paulo.