Divórcio – decidir se continua casado – Bacellart Psicólogo USP

    Vale a pena manter uma relação não saudável? Divórcio – decidir se continua casado

     Como as vezes acontece em minha clinica psicológica; divórcio – decidir se continua casado; é uma pergunta muito complexa e importante e por isso mesmo difícil e necessitando de um certo tempo para respondê-la.

    O casamento ou o morar junto sem contrato jurídico é algo que muda muito a vida das pessoas; o vínculo afetivo forte com a outra pessoa, a convivência, o compartilhar atividades, tudo isso colabora para um estar entrelaçado no outro.

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     Gradualmente, a vida em comum vai aumentando conforme tenham filhos, imóveis, relacionamento social como casal, etc. Para cada pessoa esses itens terão um peso diferente. De forma prática, para quem está em dúvidas em relação ao namoro e casamento; cogitando realmente uma separação e a curto prazo, costumo pedir calma, pelo motivo de uma decisão desse tamanho. Não há como simplesmente se decidir por alguma alternativa, mesmo sabendo de problemas, e pronto!

     Existem questões sérias para serem analisadas, tudo o que envolve a relação, o analisando se conhecer e entender o que o moveu para o casamento; o que ele viu na pessoa, como estão no momento, o que gostaria em um futuro próximo. Suas esperanças, decepções, se já fez várias tentativas de conciliação, se tem disposição em lutar por uma relação saudável, se consegue admitir seu erros e consegue se esforçar em melhorar; assim como o mesmo vale para quem está casado.

Conhecer-se para Decidir: 

     A dúvida de ter um divórcio, uma separação, segue os passos acima descritos; para que a pessoa tome essa decisão de forma consciente, de acordo consigo, o que descobriu em seu autoconhecimento; suas possíveis tentativas para uma conciliação sem sucesso, o assumir o peso de uma atitude como essa, a esperança em refazer sua vida. Por isso que é preciso um tempo para a decisão  de divórcio ou separação; um espaço para a pessoa ir se descobrindo, ir analisando com calma o que sente (depressão e ansiedade atrapalham uma boa decisão); ter diante de si a experiência de que suas tentativas de conciliação não deram resultados, seja pelo(a) companheiro(a) não se abrir para assumir a responsabilidade de se esforçarem por um objetivo comum, seja porque o mesmo também desistiu.

     Enfim, voltando a pergunta inicial; divórcio – decidir se continua casado, como saber se vale a pena, você pode refletir/pesquisar com calma; se observando, inclusive se está razoavelmente bem emocionalmente para uma decisão grande como esta.

     Se possível, o casal em conciliação (como é sempre melhor); é fundamental, para ambos. Ajudará se estiverem ‘próximos de si mesmo’, se compreendendo bem, individualmente e como casal, e num mínimo de equilíbrio emocional para essa importante resolução; se não for o caso, ver o quanto pode esperar para que a decisão seja o mais madura possível e de preferência de comum acordo.

Divórcio – decidir se continua casado

Conseguir se posicionar para uma escolha dolorosa: 

     Já atendi pessoas que pela sua história não havia nada mais a fazer, o problema já estava muito avançado, como uma úlcera; se tivessem se cuidado no início (anos atrás) até seria algo mais viável de reformular; mas no ponto que chegou, não. Por vezes a pessoa fica postergando a tomada de posição, divórcio, pois não tem forças para machucar a outra pessoa, e todos os problemas advindo de uma situação como está, sobretudo se for litigioso. Atrasar a decisão de algo inevitável é muito desgastante, importante pensar que o medo da decisão está fazendo o sofrimento se prolongar.

     Enfim, a questão é estar forte para lidar com os problemas, tristeza, depressão e preocupações com possíveis julgamentos sociais advindas do rompimento; conseguir lidar com o peso da escolha, mas também estar aberto para um porvir melhor: não podemos ter de tudo na vida, do melhor e sempre; buracos no caminho fazem parte, há que aceitá-los, saber desviar, subir caso caia e até brincar de pulá-los.

Dúvidas, capacidade em abrir mão:

     Comparar a esposa (marido) se os outros valem mais; se seria mais feliz se fosse solteira(o) e/ou tentando conhecer outra pessoa. X Nunca mais conseguirei ter outra pessoa; e o pavor de ficar só. são dúvidas que fazem sentido e são agoniantes pela dificuldade de resposta. Contudo, por vezes vi situação de a pessoa ter dificuldade para abrir mão de algo, já que na liberdade da escolha precisamos dizer não para o ‘não escolhido’: Não querer o divórcio para não perder confortos materiais, não querer divórcio para não perder o que o cônjuge tem de bom (quando se tem amante), etc. O problema, é que é preciso apropriar-se de sua escolha, contentar-se que foi uma decisão própria, mas, o principal, saber lidar com as consequências dela, sem ficar se queixando para sempre.

     Cuidado com: comparações com outras pessoas, achando que a vida em casal delas é muito melhor; idealizações exageradas de encontrar alguém espetacular que vai se apaixonar por você; pessimismo de que não poderá ter uma vida melhor que a atual. A questão aqui é quando qualquer desses sentimentos estiverem exagerados.

Divórcio – decidir se continua casado – Quando há filhos pequenos e não aceitação da família.

     Com certeza filhos, sobretudo criança, sofrerá com o divórcio. A preocupação com eles nesse momento, faz todo o sentido. Conheci casais que fizeram essa “transição” com calma, explicando, com ajuda de psicólogo e conseguiram atenuar a dor para os filhos; me pareceu bem interessante e madura essa atitude.

     Dependendo da situação do casal, se tiver uma convivência razoavelmente boa, por vezes é interessante postergar o divórcio. Para o casal que costuma brigar, as vezes até em frente aos filhos, inclusive mantendo um clima tenso em casa, e não se esforçam/conseguem mudar; pode ser pior para os filhos prolongar o fato de conviverem na mesma casa, sendo recomendado a separação. Essa situação costuma potencializar muito, as vezes ser a fundamental para um possível divórcio – decidir se continua casado.

Geralmente a mulher tem iniciativa para pedir o divórcio.

     Esse dado é de minhas observações nas pessoas que me procuraram. Apesar de muitos homens estarem insatisfeitos em seus relacionamentos chegando a terem outras parceiras(os); parecem que eles sempre optam pelo “porto seguro” da esposa, mesmo que continue brigando com elas e/ou com amante. Eu apenas relato o que escutei. Pode parecer estranho essa conduta de muitos homens; mas geralmente é assim, creio que muitas vezes possa estar ligado ao fato de não dedicarem muita atenção a qualidade da relação e isso não ter um grande peso na sua vida e/ou não saberem/conseguirem lidar com isso.

     Boa decisão! amadurecida depois de um bom auto-conhecimento.

Texto relacionado: Terapia de Casal – Acordo / Relacionamento saudável / Crescimento no Amor

Bacellart Psicólogo

Abordagem: psicoterapia fenomenologia existencial (Heidegger) e simpatia pela Psicanálise do amadurecimento de Winnicott. Se necessário, orientação comportamental de terapia breve.

Aluno convidado, doutorado USP (Gilberto Safra) e PUC (Zeljko Loparic).

Divórcio – decidir se continua casado.

Consultório Av. Paulista 2001 CJ 1701, próximo Rua Augusta/Metrô Consolação.

Possibilidade de entrevista para TV, rádio, revista e jornal. 

Divórcio decidir se continua casado


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